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Quem planeja manter seu peso e sua
forma física em ordem deve tomar bastante cuidado com o nível de estresse e de
ansiedade que enfrenta no dia-a-dia. Os pesquisadores ainda não sabem
exatamente por que algumas pessoas reagem a situações adversas com inapetência
e outras com uma certa compulsão alimentar.
No entanto parece claro que existe o envolvimento de hormônios e de
neurotransmissores nesse tipo de resposta. Algumas situações de exposição
prolongada ao estresse, como cuidar de um parente próximo que está doente,
lidar com uma relação afetiva que vai mal ou trabalhar em condições
desgastantes, podem trazer uma mudança do hábito alimentar.
Mas cada pessoa reage de maneira diferente ao estresse, inclusive em termos
alimentares. Assim, alguns diminuem sua atividade física, reduzem o tempo
gasto com momentos prazerosos e acabam tendo um aumento do seu apetite,
principalmente à custa do consumo de doces. Esse mecanismo pode ter relação
com uma maior liberação do hormônio cortisol, que também tem ação sobre o
apetite. Um desequilíbrio nos neurotransmissores (mediadores químicos que
atuam no cérebro), em especial nos sistemas de serotonina, também aumenta o
desejo por doces. Muitas das medicações utilizadas hoje no controle do
comportamento alimentar, em pacientes que tem problemas de compulsão alimentar
ou obesidade, interferem no sistema da serotonina (como a fluoxetina e a
sibutramina).
Outras pessoas reagem ao estresse e à ansiedade liberando quantidades maiores
do hormônio CRH, que age no sistema nervoso central, controlando a produção e
liberação de outros hormônios. O CRH parece ter relação com a perda de apetite
observada em algumas pessoas. O que leva a um padrão ou outro de resposta ao
estresse ainda é um mistério.
Cada vez mais se percebem relações e semelhanças entre os distúrbios do humor
(depressão, ansiedade) e os transtornos alimentares. Nos dois grupos, existe
uma variação significativa de resposta individual.
Matéria publicada na Bem
Estar.
Dra. Iara Pasqua e Prof.
Dr. Lancha Jr. |