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Alquimia

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A Alquimia é uma tradição antiga que combina elementos de química, física, astrologia, arte, metalurgia, medicina, misticismo, e religião. Existem três objetivos principais na sua prática. Um deles é a transmutação dos metais inferiores em ouro, o outro a obtenção do Elixir da Longa Vida[1], uma panacéia universal, um remédio que curaria todas as doenças e daria vida eterna àqueles que o ingerissem. Estes objetivos poderiam ser atingidos ao obter a pedra filosofal, uma substância mística que amplifica os poderes de um alquimista[1]. Finalmente, o terceiro objetivo era criar vida humana artificial, os homunculus. É reconhecido que, apesar de não ter caráter científico, a alquimia foi uma fase importante na qual se desenvolveram muitos dos procedimentos e conhecimentos que mais tarde foram utilizados pela química. A alquimia foi praticada na Mesopotâmia, Egito Antigo, Mundo Islâmico, Pérsia, Índia, Japão, Coréia e China, na Grécia Clássica, em Roma, e na Europa.

Alguns estudiosos da alquimia admitem que o Elixir da longa vida e a pedra filosofal são temas simbólicos, que provêm de práticas de purificação espiritual, e dessa forma, não poderiam ser considerados substâncias reais. Há pesquisadores que identificam o elixir da longa vida como um líquido produzido pelo próprio corpo humano, que teria a propriedade de prolongar indefinidamente a vida daqueles que conseguissem realizar a chamada "Grande Obra", tornando-se assim verdadeiros alquimistas. Existem referências dessa substância desconhecida também na tradição da Yoga.

A versão mais tradicional para a origem da Alquimia é a de que tudo teria começado a se desenvolver em Alexandria, centro de convergência cultural da idade clássica que atraía estudiosos de todas as partes do mediterrâneo para sua grande biblioteca, o Templo das Musas. A difusão de três correntes é tida como a responsável pela existência da arte alquímica. Seriam elas a filosofia grega, o misticismo proveniente do Oriente e a tecnologia egípcia. A absorção de ciências ocultas dos mais variados lugares do mundo como Síria, Mesopotâmia, Pérsia, Caldéia e Egito, resultaram em um caráter místico. Mas a sabedoria espiritual não era o principal objetivo dos alquimistas. Estes queriam realizar a Grande Obra Alquímica, a Pedra Filosofal, nome que segundo a língua sagrada significava a pedra que traz o signo do Sol. Caracterizada pela coloração vermelha, a pedra possuía propriedades químicas com grande poder, tendo também poder de penetração, irredutibilidade e a perfeita indiferença em relação aos agentes químicos. Todas essa propriedades que a suposta e tão sonhada pedra filosofal possuía eram as explicações dadas ao fato de que ela poderia transformar qualquer metal inferior em ouro, considerado o elemento mais perfeito. Há quem afirme que a Grande Obra, a Pedra Filosofal, tenha sido concretizada. Mas não se pode afirmar com certeza, devido à variedade de nomes relacionados ao verdadeiro autor da pedra.

No ano de 391 d.C., a Biblioteca de Alexandria foi invadida por cristãos, que a saquearam e incendiaram, consumindo com muitas obras importantes. O que restaram foram apenas referências soltas em outras obras que indicaram as perdas sofridas. Foi aí que a alquimia caiu na clandestinidade. Seus segredos foram levados por uma seita cristã, o nestorianismo, para seu novo destino. Após o Concílio de Éfeso, o nestorianismo foi declarado uma heresia, e seus seguidores tiveram que fugir. Os que insistiram na prática clandestina da alquimia, transmitiram seus segredos aos zoroatristas. Quando o imperador cristão Justiniano fechou a Academia de Platão em Atenas, em 529, iniciou-se o período conhecido como Idade das Trevas, que perduraria pelos próximos cinco séculos seguintes.

A história da química iria permanecer quase exclusivamente em mãos árabes nesses quinhentos anos. O interesse dos alquimistas árabes era basicamente a procura do ouro. Alguns nomes surgiram e tornaram-se importantes, como o de Al-Razi, autor de escritos alquímicos sobre a transmutação, e o de Avicena, autor de obras sobre filosofia e medicina, como a farmacopéia, considerado o texto médico precursor da farmácia moderna.


Símbolos e objetivos

Na linguagem alquímica encontra-se associação de símbolos astrológicos com metais. O Sol, por exemplo, é associado ao ouro; a Lua representa a prata; Marte associa-se ao ferro enquanto Saturno ao chumbo. Animais (mesmo mitológicos como o dragão) e suas características também são usados para definir os elementos e as substâncias e os processos ao qual são submetidos. O unicórnio ou o veado é usado para representar o elemento terra; o peixe representa a água; pássaros fazem referência ao ar e salamandras aludem ao fogo. 

Esta simbologia alquímica é encontrada até mesmo mesclada com ícones do cristianismo medieval. Por exemplo, nas seculares catedrais góticas, há uma imensa combinação de imagens cristãs com animais, símbolos químicos e zodiacais.

De forma geral, pode-se definir três objetivos básicos da alquimia. O primeiro e, consequentemente, mais importante é produzir a chamada Pedra Filosofal (ou mercúrio dos filósofos, entre outros diversos nomes) que seria uma substância obtida a partir de matéria-prima grosseira. Através da Pedra Filosofal seria possível atingir os outros objetivos, que seria a transmutação da matéria (metais inferiores transformados em ouro) e produzir o Elixir da longa vida, uma espécie de medicamento universal que tornaria a pessoa que fizesse uso, imune a qualquer doença. Os sábios alquimistas ocidentais afirmavam que a obtenção de ouro foi um fracasso pela falta de concentração e preparação espirituais dos que realizavam as experiências.

Ainda, entre os alquimistas, há uma idéia de criar vida humana de modo artificial. O homúnculo (do latim, homunculus, pequeno homem) seria uma criatura de aproximadamente 12 polegadas de altura que poderia ser criada através de sêmen humano colocado em uma retorta totalmente fechada e aquecida em esterco de cavalo durante 40 dias. Assim se formaria um embrião. Possivelmente, Paracelso foi o primeiro alquimista a divulgar este conceito.

Porém, é provável que a verdadeira intenção dos alquimistas era promover uma profunda mutação na alma e na natureza humana. Este objetivo fica camuflado sobre fórmulas químicas e simbologias complexas.

O processo alquímico é o principal trabalho dos alquimistas (freqüentemente chamado de "A Grande Obra"). Trata-se da manipulação dos metais, e da fabricação da pedra filosofal. As matérias-primas do processo alquímico são, entre outros, o orvalho, o sal, o mercúrio e o enxofre. De um modo geral, o processo alquímico é descrito de forma velada usando-se uma complicada simbologia que inclui símbolos astrológicos, animais e figuras enigmáticas.

O orvalho é utilizado para umedecer ou banhar a matéria-prima. O sal é o dissolvente universal. Os outros dois elementos, mercúrio e enxofre são as principais matérias-primas da alquimia. O enxofre é o princípio fixo, ativo, masculino, que representa as propriedades de combustão e corrosão dos metais. O mercúrio é o princípio volátil, passivo, feminino, inerte. Ambos, combinados, formam o que os alquimistas descrevem como o "coito do Rei e da Rainha".

O sal, também conhecido por arsênico, é o meio de ligação entre o mercúrio e o enxofre, muitas vezes associado à energia vital, que une corpo e alma.

A linguagem dos textos alquímicos com freqüência faz uso de imagens sexuais. E não é muito incomum que a ligação de elementos seja comparada a um "coito". Normalmente este casamento é associado à morte, e é representado, com freqüência, ocorrendo dentro de um sarcófago.

Enquanto a união de ambos os elementos é representada por um "casamento" ou "coito", o combate entre o enxofre e o mercúrio, entre o fixo e o volátil, entre o masculino e o feminino é comumente representado pela luta entre o dragão alado e o dragão áptero.

Também é muito freqüente o uso de símbolos da astrologia na linguagem alquímica. Associam-se os planetas da astrologia com os elementos da seguinte forma:


Um livro alquímico do século XVII, associa símbolos com os astros da seguinte forma:

 

_ O Sol com o ouro.

_ A Lua com a prata.
_ Mercúrio com mercúrio.
_ Vênus com o cobre.
_ Marte com o ferro.
_ Júpiter com estanho.
_ Saturno com chumbo.

 
Os alquimistas acreditavam que o mundo material é composto por matéria-prima sob várias formas, as primeiras dessas formas eram os quatro elementos (água, fogo, terra e ar), divididos em duas qualidades: Úmido (que trabalhava principalmente com o orvalho) ou Seco, Frio ou Quente. As qualidades dos elementos e suas eminentes proporções determinavam a forma de um objeto, por isso, os alquimistas acreditavam ser possível a transmutação: transformar uma forma ou matéria em outra alterando as proporções dos elementos através dos processos de destilação, combustão, aquecimento e evaporação.

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